Sendo para nós o problema principal de Portugal a insuficiente produtividade, entendemos não serem ajustadas para resolver este sério problema as medidas ontem anunciadas pelo governo.
Trabalhando já as empresas portuguesas com uma carga de impostos das mais elevadas da Europa, tendo custos de produção, excluindo o custo do trabalho, também dos mais elevados da Europa, sendo-nos exigido por conta de existirmos pagamentos de impostos independentemente de trabalharmos e recebermos ou não, tendo os portugueses dos mais baixos poderes de compra da Europa, não garantindo o Estado Português condições de operacionalidade, segurança e justiça às actividades económicas nos seus investimentos, mantendo o Estado Português uma estrutura pública desajustada, alguma da qual obsoleta e perversa desenvolvendo funções desalinhadas com o âmbito público em manifesto bloqueio e deslealdade com as actividades económicas, convivendo o próprio Estado Português com actividades ilícitas e paralelas à medida que desajustadamente persegue aquelas que se legalizaram e tentam sobreviver neste ambiente de grande desregulação e favorecimento à ilegalidade, perguntamo-nos porque razão não enfrentam os nossos governantes estes problemas para podermos sustentadamente sair das dificuldades.
Que país queremos afinal apresentar ao mundo, quando num período de extrema dificuldade para os portuguese e para as suas empresas, o qual desencadeou o extraordinário aumento do nosso défice público, se decidiu resolver o problema castigando ainda mais as pessoas e as empresas com um generalizado aumento de impostos que obviamente nos condicionarão ainda mais, forçando a perda de competitividade da economia portuguesa, o fecho de mais empresas, o afastamento de investidores, o corte no consumo, o surgimento de mais desempregados e por consequência o aumento das despesas sociais.
Pensamos assim que seria muito mais positivo e eficiente ter-se utilizado a oportunidade para reorganizar, reajustar e reduzir a desmesurada despesa pública que o Estado Português suporta nos dias de hoje (51% do PIB) para ultrapassar o problema, consideramos que a solução encontrada não se ajusta à efectiva situação do país, podendo porventura agudizar, a curto prazo, as frágeis condições em que nos encontramos colegialmente.
Direcção AETP
Horácio de Matos
14-05-2010