Passando a tutela turística a ideia insuficiente de que o aumento do turismo interno nos últimos anos resultou apenas do esforço público, a verdade é que esse aumento resulta principalmente do esforço de cooperação e de investimento em qualificação e promoção que as próprias actividades turísticas portuguesas decidiram assumir há anos a esta parte.
Tendo existido esforços empresariais para tentar replicar esta acção proactiva também nos mercados internacionais, na tentativa de aumentarmos as exportações turísticas e consequentemente as receitas internacionais e as chegadas internacionais, a verdade é que nos deparámos com um bloqueio e falta de apoio ao nível central, o qual se tem vindo a desenvolver comprometendo actualmente as dinâmicas de cooperação e de trabalho conjunto que temos vindo a incentivar junta das empresas turísticas desde 2004.
Contrariando-se e desincentivando-se as livres e independentes dinâmicas de cooperação e trabalho conjunto intra e inter sectorial, as quais os nossos parceiros europeus, ocidentais e orientais utilizam há décadas para fazer evoluir as suas economias, em Portugal assistimos ao reforço do centralismo, controlo e interferência do governo nas dinâmicas económicas, condicionando-se assim as iniciativas e as dinâmicas que as empresas terão que prosseguir e alcançar por sua livre iniciativa.
Traduzindo-se esta fechada, centralizadora e tendenciosa política de desenvolvimento económico num bloqueio ao próprio desenvolvimento do país, o qual facilmente constatamos nas últimas décadas, consideramos que o governo deve levantar com urgência os bloqueios que estão e que recentemente colocou no terreno, facilitando assim a todas as actividades económicas portuguesas as condições básicas de operacionalidade que lhes permitam evoluir e contribuir para a construção dos bens e serviços que Portugal necessita comercializar interna e externamente.
Cabendo naturalmente ao Estado Português a regulação, a promoção institucional do país, a garantia de condições de operacionalidade para as actividades turísticas e económicas, a segurança e o incentivo ao desenvolvimento económico, é efectivamente de difícil compreensão verificarmos que este governo, ao contrário do que acontece nas economias em crescimento, não vislumbra os mecanismos de desenvolvimento económico, atribuindo a posteriori inadequadas e incompatíveis novas funções ao Estado, propondo-se assim substituir a livre e insubstituível iniciativa das empresas e dos empresários.
Confiando na capacidade dos empresários e no bom senso dos governantes nacionais e europeus, esperamos que se reponham quanto antes as condições de operacionalidade económica em Portugal, para efectivamente podermos trabalhar em segurança fazendo avançar o país.
Direcção AETP
Horácio de Matos
14-06-2010