Associação de Empresas Turísticas Portuguesas

Portagem em todas as SCUT será prejudicial para toda a indústria turística e economia portuguesa

Portagem em todas as SCUT será prejudicial para toda a indústria turística e economia portuguesa

Sendo as infra-estruturas rodoviárias essenciais ao desenvolvimento das actividades turísticas e económicas de qualquer país, entendemos prejudicial inserirem-se genericamente portagens em todas as estradas denominadas SCUT, deixando-se Portugal praticamente sem alternativas gratuitas à movimentação de pessoas e bens materiais entre diferentes regiões do país.

Actuando-se também neste domínio sem atender à lógica e à política rodoviária que o nosso parceiro regional (Espanha) tem implementado no seu território, teremos que ponderar possível que pessoas e empresas nacionais e europeias comecem a olhar para Portugal como um espaço geográfico onde a circulação rodoviária está a ser cada vez mais dificultada.

Sendo os custos com transporte e deslocação uma das principais variáveis em consideração por turistas e empresários, não entendemos como é que num período de sério constrangimento económico se opta por uma medida deste género em Portugal, quando, como é público, temos já dos serviços e custos de produção mais caros da Europa em comparação com aquilo que se ganha e produz.

Estimando-se que cerca de 80% das chegadas de turistas aos destinos Europeus resultam da utilização de automóveis, entendemos que esta medida, a implementar-se sem as devidas salvaguardas, terá um impacto extremamente negativo nos fluxos turísticos portugueses, podendo mesmo bloquear ou redireccionar turistas para mercados concorrentes que ao aperceberem-se desse custo e falta de alternativas para chegar aos destinos turísticos, escolhem por permanecer nas suas áreas de residência ou então optam por outros destinos a que conseguem aceder mais facilmente, com comodidade e sem quaisquer custos extra.

Apelamos assim, aos nossos governantes, que ponderem estes elementos no tratamento desta séria questão rodoviária, pois, bastará que esta medida reduza ou redireccione 10 % do tráfego turístico nacional e internacional para, em estimativa, perdermos aproximadamente 1% do PIB turístico, o que equivale ao dobro da despesa pública que, segundo noticias vindas a público, as SCUT custam por ano, ou seja 700 milhões de euros.

Direcção AETP
Horácio de Matos

03-07-2010

 

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